Troca de casais:um mundo além da fantasia

Como quebrar as barreiras dessa pratica socialmente censurada

A troca de casais atualmente é muito mais que uma mera fantasia. Essa prática que era apenas tema de conversas proibidas e pensamentos fantasiosos vem ganhando espaço e vários adeptos. Os motivos que levam a essa decisão são os mais variados e dependem de cada casal e relação. Muitos casais que têm a intenção de conhecer outros casais para realizar essa prática usam a internet, e através de chats e sites que tratam desse assunto marcam um jantar para se conhecerem e ver se existe uma afinidade ou atração mútua. Mas a maioria dos que procuram essa troca de casais preferem procurar casas ou clubs onde não se costuma conversar ou trocar informações sobre afinidades, e ir direto ao ponto e realizar fantasias.

Os donos dessas casas e clubs relatam que a maioria de seus frequentadores são casais com idades entre 30 e 45 anos, e alguns mais jovens com cerca de 25 anos. Ali os casais fazem de tudo, ninguém é obrigado a nada, cada um com a sua motivação e razão de estar vivendo essa experiência.

É traição?

Um exemplo é Filipe e Sandra (nomes fictícios), de 45 anos, casados há 19 anos, com uma filha adolescente. Ele há cerca de oito anos começou a procurar vias alternativas para satisfazer as fantasias comuns. “Foi mais por curiosidade e não tanto pela rotina. Queríamos ter experiências novas”, diz Filipe. Quando falou de swing à mulher, a reação “não foi negativa”, mas de alguma cautela. “Nunca tal me tinha passado pela cabeça. Tinha alguns receios. Não sabia se conseguiria estar de forma íntima com outro casal, que sentido faria estar a partilhar o meu marido, que sentimentos iria ter. E, sim, tive receio de que pudesse prejudicar a minha relação. ” Esse é um relato de um casal que descobriu prazer nessa prática, a relação deles ficou mais sólida, e a partir de regras criadas por eles e muita conversa adotaram esse método como fonte de prazer e confiança entre o casal. Eles já estão a oito anos nessa prática e mantem isso como segredo, devido ao preconceito e desaprovação da sociedade.

“A experiência, que poderia ser altamente desestabilizadora, parece ter efeitos muito positivos na relação”, diz Paulo Jesus, orientador do mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde na Portucalense. Mas, independentemente destes resultados, essa não é a receita para uma relação saudável e duradoura, tudo depende do casal e de suas vontades. “O mais importante é a comunicação, incluindo sobre a relação e o desejo”, diz o professor de psicologia.