Por que adotar um filho especial é uma oportunidade louvável de amor?

Entenda os fatores que influenciam esse processo e como esse ato pode salvar vidas

“O filho biológico você ama porque é seu. O filho adotivo é seu porque você ama.” (Luiz Schettini Filho)

Crianças especiais parecem invisíveis na fila adoção. Diariamente, crianças são vítimas de abandono daqueles que deveriam ser seu porto seguro e de amor. O número desse abandono é ainda maior com aquelas que possuem necessidades especiais, e pior ainda aos que passaram a apresentar doenças e marcas do maus tratos devido a rejeição.

Muitas das crianças abandonadas em instituições governamentais para a adoção têm problemas de saúde, malformações congênitas (lábio leporino, problemas ortopédicos, cardiopatias, sequelas sifilíticas, genitália confusa etc.), retardos psicomotores, sequelas de maus tratos (queimaduras, cicatrizes), problemas psicoafetivos (apatia, agressividade, hiperatividade, marasmo etc.), problemas psíquicos diversos (relacionados a má nutrição, infecções hospitalares etc.), cegueira e vírus HIV.

Diante dessa realidade os futuros pais adotantes precisam se conscientizar de que a maioria das crianças disponíveis tem “defeitos”, mas necessitam de uma chance para reverter seu quadro, para serem curadas, para serem tratadas e voltarem a viver dignamente.

Porém, além da dificuldade em serem, de certa forma, desejadas por pais adotivos, os pequenos ainda sofrem com a falha do sistema em orientar seus futuros responsáveis. O cadastro judiciário não supre as dúvidas dos casais e esses, ao falaram da criança pretendida – mesmo que estejam abertos para adoção tardia – apresentam um certo desconhecimento da realidade.

Por essa razão, é necessário entender que essas crianças abandonadas nas instituições ali estão porque sofreram privações, não foram atendidas em suas necessidades básicas, sofreram maus tratos, tiveram doenças infantis que não foram diagnosticadas em tempo hábil… Por isso, quase todas possuem características particulares.

Contudo, estudos apontam os prós e contras que a sociedade brasileira apresenta devido as causas e consequências desse problema:

Fatores de riscos

De acordo com Fabíola Brandão, os resultados indicam que a baixa escolaridade, a renda precária, o uso abusivo de álcool, o desequilíbrios na saúde mental e a indisponibilidade emocional para assumir cuidados diários das crianças com necessidades especiais podem ser apontados como fatores de risco presentes no contexto da família biológica. Já na família adotiva, destacaram-se, como fatores de proteção, o engajamento dos grupos familiares nas rotinas de cuidado com as crianças, o auxílio na rede de apoio social no atendimento das necessidades dos adotados e o fornecimento do acesso aos direitos fundamentais, como saúde e educação, promovidas pelos pais por adoção.

Fatores de proteção

Os resultados mostram, ainda, que os fatores de proteção presentes nos grupos familiares adotivos aparentam fortalecer as crianças no enfrentamento das adversidades e dificuldades decorrentes das suas condições especiais, assim como agem atenuando os efeitos dos fatores de risco a que estiveram expostas em suas famílias biológicas, possibilitando ganhos desenvolvimentais às crianças adotadas.

A adoção de crianças com algum problema de saúde dobrou nos últimos cinco anos. Além disso, o número daquelas adotadas com mais de 3 anos de idade também cresceu, até 600% em 2016. Essa mudança está ajudando a resolver uma conta que ainda não fecha. Mais de 6 mil crianças e adolescentes estão disponíveis no Cadastro Nacional de Adoção, e há 35 mil pretendentes cadastrados. A maioria deseja crianças com menos de 3 anos, que nem chegam a 10% do total.

Dessa forma, as crianças com necessidades especiais são triplamente abandonadas: primeiro por suas famílias biológicas; depois pelo Estado, que não tem programas adequados para a reabilitação delas; e por fim por muitos dos futuros pais adotantes, que, por falta de informação, têm medo de adotá-las.

Por outro lado, é notaria a satisfação das famílias que se dispõem para vencer essa luta. Em pouco tempo, fica perceptível a melhoria tanto no quesito saúde como nos aspectos psicológicos dos pequenos após encontrarem um lar. Na maioria todos esses casos, as famílias têm alegria em compartilhar as curas e os progressos animadores de todas as crianças, provando, uma vez mais, que elas precisavam apenas de uma nova alternativa para redirecionar suas vidas.

O relato comovente de um casal Aline e Cleber, de São Bernardo do Campo, os quais, após uma viagem comunitária ao Haiti, dicidiram iniciar uma família através da adoção. “Queríamos ser pais de quem precisava ser filho, esse foi nosso critério de escolha” afirma a mãe.

Muitos pais relatam que, o momento em que saem com os filhos da casa de adoção é idêntico ao momento em que um casal sai da maternidade. Tudo é novo, tudo é amor, tudo é cuidado. O primeiro contato com o filho é como dar à luz para uma mãe, o sentimento transborda. Adotar é salvar mais de uma vida, todos os dias, você salva uma criança e isso te salva. “Adotar é acreditar que a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino.” (Lídia Weber)