Fetiches sadomasoquistas são incomuns ou errados?

Entenda esse conceito e conheça mais sobre as origens dessa prática

A prática, que antes permeava um universo periférico e era resguardada ao imaginário sexual apenas, ganhou visibilidade e começou a ser debatida e vista de outras formas, através de relatos sadomasoquistas contidos na trilogia Cinquenta Tons de Cinza, que virou um Best-seller. A história retratada do livro, além de trazer a pauta à tona, ainda deu uma nova dimensão ao mercado de literatura erótica do mundo. Mas, você sabe exatamente a que esses termos se referem?

Sadismo x masoquismo x sadomasoquismo

Sadismo: Uma pessoa é considerada sádica quando sente prazer em controlar à outra e contemplar seu sofrimento, sentir que possui o poder sobre outro individuo. Em termos sexuais, o sádico se excita ao ver a tortura física ou psicológica do parceiro. Desde atar, vendar, dar palmadas, chicotear, beliscar, bater, queimar, administrar choques eléctricos, estuprar, cortar, esfaquear, estrangular, torturar e mutilar.

Masoquismo: Um masoquista sente prazer na dor, um prazer sexual que pode ser provocado por queimação, tapas, mordidas, beliscões, velas, chicotes, asfixia, a sensação de ser dominado e todas as outras formas de tortura que você pode imaginar.

Sadomasoquismo: Como o próprio nome sugere, é a união dos dois termos. O masoquismo é uma tendência oposta e complementar ao sadismo. Uma relação na qual às duas tendências se complementam é denominada sadomasoquista.

Como a dor ou a violência podem causar prazer sexual?

Fetiches normalmente estão relacionados a práticas proibidas ou experiências fora do lugar comum, e o proibido costuma ser mais excitante, mexendo com os níveis de adrenalina. Pesquisas indicam que algumas atividades sadomasoquistas alteram a liberação de certos hormônios ligados ao prazer, como o cortisol e a dopamina.

Denise Hernandes Tinoco doutora em Psicologia Clínica, explica que o prazer em sentir dor, muitas vezes vem dos primeiros anos de vida. Crianças que, nos primeiros anos de vida, sofreram agressões dos pais como forma de impor limites, acabam por associar amor com dor.  “Este registro interno faz com que procurem na vida, como objeto de amor, pessoas que reproduzem esta relação primeira, matriz do sadomasoquismo” conclui a psicóloga.

Mas, isso é errado?

De acordo com a psicóloga Maria Lúcia Bueno de Miranda, isso vai depender do grau do sadomasoquista e da frequência: “Esses fetiches são mais comuns do que imaginamos, mas tudo tem um limite. Se o prazer está ligado somente à dor, aí sim vemos um problema. Porém, se é de comum acordo entre o casal e a prática oferece prazer a ambos, vale tudo”.

Afinal, os principais componentes de um bom sexo sadomasoquista são: comunicação, respeito e confiança, os mesmos componentes do sexo tradicional. O resultado também é o mesmo: uma sensação de conexão com o corpo e com o eu. Um bom sexo sadomasoquista não termina em orgasmo, mas sim em catarse.

Como iniciar a prática?

Antes de tudo, o primeiro acordo entre os praticantes é definir sua “safeword”, definir uma senha ou palavra que eles utilizaram quando os atos ultrapassarem seus limites. Isso porque, como a ideia é de dominação, palavras como “não” e “para” muitas vezes são usadas sem que o desejo seja esse.

Outra das ideias mais comuns e recomendadas para iniciantes é tapar a visão do parceiro. Com os olhos vendados, seus sentidos ficam mais aguçados e a pele mais sensível. É nessa hora que você deve abusar do tato, olfato, paladar e audição. Seja acendendo velas aromáticas ou dando um beijo após um gole de bebida.

Por último, uma das brincadeiras favoritas dos sadomasoquistas é brincar com fogo. Para isso, eles abusam da sensação da cera quente da vela gotejando pelo corpo. Deixe que o sadista derrame gotas quentes de cera pelo corpo do masoquista, sempre com pelo menos um palmo de distância e nunca tingindo as partes íntimas, para evitar queimaduras.