Falta de sono: a insônia

Distúbio do sono que afeta 40% dos brasilerios

Demorar para pegar no sono, acordar durante a noite ou sentir que o sono não foi reparador são alguns dos sinais que podem ajudar no diagnóstico de insônia.

 

O que é a insônia?

Insônia é a dificuldade em iniciar e/ou manter o sono, prejudicando o bom funcionamento da mente e do corpo no dia seguinte. Estima-se que até 40% dos brasileiros sofrem ou sofreram deste mal nos últimos doze meses.

– dificuldade em iniciar o sono;

– levantar muitas vezes durante a noite com dificuldade em voltar a dormir;

– acordar cedo demais;

– sono não restaurador.

A insônia não é definida pelo tempo que uma pessoa dorme ou gasta para cair no sono. A necessidade de sono varia de indivíduo para indivíduo. A insônia geralmente causa problemas durante o dia, tais como: cansaço, falta de energia, dificuldade de concentração e irritabilidade.

Ela pode ser classificada como aguda, intermitente e crônica. A insônia que dura desde uma noite até algumas semanas é chamada de aguda. Caso os episódios de insônia ocorram de tempos em tempos, ela passa a ser intermitente. A insônia é considerada crônica se ocorre frequentemente e dura mais de um mês.

 

Quais as causa da insônia?

A insônia é geralmente decorrente da ação de fatores estressantes (precipitantes) em um indivíduo que apresenta fatores predisponentes.

Principais fatores predisponentes:

– idade avançada;

– sexo feminino (principalmente durante e após a menopausa);

– história de insônia em familirares;

– depressão e outros distúrbios psquiátricos;

– doenças orgânicas;

– tabagismo, etilismo, dependência química.

O tipo crônico é o mais complexo e geralmente resulta de uma combinação de fatores, incluindo os decorrentes de desordens físicas ou mentais e comumente a depressão. Outras causas incluem artrite, doença nos rins, problema no coração, asma, apnéia, narcolepsia, síndrome das pernas inquietas, mal de Parkinson e hipertiroidismo.

– expectativa e preocupação em ter dificuldade para dormir;

– preocupação excessiva com o trabalho, não sabendo esquecê-lo após o fim do expediente;

– ingestão de quantidade excessiva de cafeína;

– beber álcool antes do horário de dormir;

– fumar cigarro antes do horário de dormir;

– soneca excessiva de manhã ou de tarde;

– horários de dormir/acordar irregulares ou continuamente alterados;

– ciclos irregulares de sono/despertar (por um trabalho noturno, por exemplo).

 

Como se dá o diagnóstico da insônia?

Pacientes com insônia devem ser adequadamente avaliados por um médico especializado em Medicina do Sono. Este poderá utilizar-se de um Diário do Sono preenchido pelo paciente ao longe de 1 a 2 semanas, a qual registrará os horários em que levanta, deita, cochila, toma café, faz exercícios, etc. Isto será de grande utilidade para a abordagem do médico. Poderá ainda ser solicitada uma Polissonografia (exame do sono) para detectar possíveis outras doenças do sono que estejam contribuindo para a insônia.

 

Como tratar a insônia?

O tratamento para a insônia pode ser simples nos casos de início recente ou intermitente. Nesses casos, a utilização criteriosa de comprimidos para dormir de curta ação pode melhorar o sono e atenção no dia seguinte.

Já o tratamento da insônia crônica é mais complicado e consiste em um tratamento multimodal:

– deve-se diagnosticar e tratar problemas médicos ou psicológicos que possam estar ocasionando a insônia;

– identificar comportamentos que podem piorar a insônia e interrompê-los ou reduzi-los;

– pode ser necessária a prescrição de medicamentos para dormir, dando preferência àquelas que não causam dependência. Em geral, são prescritos na dose mínima e no menor período de tempo necessário. Para alguns desses remédios, a dose deve ser gradualmente diminuída, uma vez que uma parada abrupta poderia ocasionar a volta da insônia;

– técnicas de relaxamento: podem reduzir ou eliminar a tensão corporal e ansiedade. Como resultado, a mente da pessoa é capaz de ficar quieta, os músculos podem relaxar e pode ocorrer o sono repousante. Geralmente é preciso muita prática para aprender essas técnicas e alcançar o relaxamento efetivo;

– técnica de Restrição de sono: Algumas pessoas sofrendo de insônia gastam muito tempo na cama tentando sem sucesso dormir. Essas pessoas podem se beneficiar de um programa de restrição de sono que primeiramente permite apenas algumas horas de sono durante a noite. Gradualmente o tempo é aumentado até que seja alcançada uma noite normal de sono;

– recondicionamento: Outro tratamento que pode ajudar algumas pessoas com insônia é recondicioná-las para associar a cama e o horário de dormir com o sono. Para a maioria das pessoas, isso significa não usar sua cama para nenhuma outra atividade além de sexo e dormir. Como parte do processo de recondicionamento, a pessoa é geralmente aconselhada para ir para a cama somente quando estiver com sono. Se não for capaz de dormir, a pessoa é orientada a levantar e só voltar para a cama quando estiver com sono. A pessoa também deve evitar sonecas. Eventualmente, o corpo será condicionado a associar a cama e horário de dormir com o sono.

 

Dicas para dormir

Algumas dicas para melhorar o sono através de uma boa higiene do sono são:

– não tirar cochilos durante o dia;

– deitar e levantar sempre na mesma hora, mesmo que não tenha dormido bem;

– não comer muito antes de deitar.

Além disso, recomenda-se não ficar mais de meia hora na cama, se não conseguir dormir. Neste caso, levante-se e faça algo diferente e só volte quando o sono chegar.

Um indivíduo adulto saudável deve dormir 8 horas por noite ou a quantidade de horas necessárias para o bem-estar e a recuperação das energias para realizar as atividades diárias. E o fato de tentar compensar as horas de sono perdidas no fim de semana é maléfico para o corpo e aumenta as chances de desenvolver doenças, especialmente as cardiovasculares.