DST X BEIJOS: entenda como se cuidar durante o “hot moment”

Conheça os ricos e doenças que o hábito de ficar pode ocasionar e saiba como se prevenir

Carnaval passou e pergunta que fica é “quantas bocas você beijou?” CUIDADO!  O beijo, que para muitos parece algo inofensivo, na realidade é uma porta de entrada para várias doenças, das odontológicas às sexualmente transmissíveis (DST), que podem ser transmitidas pela boca, através desse hábito de “ficar” ou pelo sexo oral.  Sabendo disso, o Portal Nó de Gravata buscou informações de especialistas para ajudar os desavisados a se prevenir desse risco. Confere com a gente!

Uma única gota de saliva é capaz de conter cerca de 2 bilhões de bactérias. Por isso a desculpa de “mas foi só um beijinho” não importa mais. Existem diversas doenças potencialmente transmissíveis através de uma simples troca de saliva. Isso é tão comum, que uma delas, a Mononucleose, foi denominada como Doença do Beijo.

Provocada pelo vírus Epstein-Bar, a doença do beijo é normalmente confundida com uma simples gripe. “Os principais sintomas são febre, dor no corpo e dor de garganta”, descreve Gustavo Gusso, especialista em medicina da família e da comunidade pela Universidade Federal de São Paulo (SP). Mas, se a pessoa estiver com imunidade baixa, outros sintomas graves como gânglios aumentados, principalmente na região da garganta, e até um quadro leve de hepatite, podem aparecer.

Além disso, infecções bacterianas como a gengivite e a cárie, apresentaram um número de incidência drasticamente aumentando, e um dos fatores de risco é devido ao hábito adotado pelos jovens de trocar seus parceiros rapidamente. De acordo com um estudo publicado em fevereiro de 2006, no British Medical Journal, beijar na boca de várias pessoas aumenta em quatro vezes o risco de adolescentes contraírem meningite, uma infecção cerebral que pode levar a morte.

O beijo, quanto acontece em uma balada ou em festas onde tenha álcool e drogas em excesso, abre as portas do organismo para a entrada de vírus e bactérias. “Para que a contaminação aconteça, é preciso haver a combinação entre a carga infectante em um dos indivíduos e a baixa resistência no outro”, alerta o infectologista Paulo Olzon, da Unifesp.

A má notícia para os beijoqueiros de plantão, é que, a melhor forma para de precaver e proteger desse perigo é a abstinência, ou pelo menos uma boca mais comedida, evitando beijar muitas pessoas diferentes em pouco tempo. “Este cuidado vale para todas as pessoas sadias. Mas, para aquelas com alguma ferida em boca, ele é determinante”, alerta o dentista Pantelis Varvaki Rados, consultor de Estomatologia da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Inflamações, como aftas e gengivite, sensibilizam a mucosa e facilitam a entrada dos micróbios. “As doenças de maior risco de transmissão são o herpes bucal, em especial os com lesões ativas, e a mononucleose infecciosa, definitivamente transmitida pelo beijo”, avalia Pantelis. Há ainda a candidíase, que surge principalmente quando você está com a resistência baixa. O contágio também pode ocorrer por meio de copos e talheres, mas cada vez com menor probabilidade.

Já para reduzir os riscos de infecções através do sexo oral, a regra básica é praticar sexo seguro e usar camisinha. De acordo com o médico infectologista Paulo Olzon, não há estudos científicos suficientes que comprovem a transmissão do vírus HIV, da Aids, por via oral. “A contaminação do vírus pela boca é extremamente difícil, isso ainda não foi comprovado”, diz Olzon. O risco de transmissão do HIV através do beijo na boca poderia ser maior entre as pessoas que usam body-piercing na língua ou lábios, mas só quando não houve cicatrização ou há sangramento no lugar do corte, o mesmo caso de quem usa aparelho ortodôntico e, muitas vezes, tem a mucosa bucal ferida.

Por fim, conheça as principais doenças transmitidas pelo contato boca-boca e fique atento as suas características:

Cárie: causada por bactérias, é a mais comum das doenças odontológicas. Para prevenir, basta fazer a higienização adequada, com escovação dos dentes e limpeza com fio dental.

Gengivite: trata-se da inflamação da gengiva que, quando não tratada, evolui para um quadro de periodontite. Gengivas vermelhas e sangrentas, raramente dolorosas, caracterizam o mal. “Cáries e doenças periodontais são causadas por bactérias, microorganismos transmitidos por um simples beijo na boca. Mas isso não significa que o contato seja capaz de provocar a instalação da doença”, explica o especialista em estomatologia, Francisco Pacca.

Hepatite: há risco de transmissão do tipo B da doença, caso haja lesões e feridas na mucosa bucal. O tipo A é transmitido por fezes e o tipo C, apenas por agulhas.

Herpes: o vírus pode ser transmitido mais facilmente na fase aguda, quando está em plena atividade e deixa a boca cheia de pequenas bolhas. “A herpes tipo 1 é caracterizada como labial e a tipo 2 como genital, mas com a prática do sexo oral, o vírus do tipo 1 pode causar a genital e vice-versa” , explica o médico infectologista, Paulo Olzon.

Candidíase: também conhecido como sapinho, caracteriza-se por áreas brancas na mucosa que, quando raspadas, deixam a região vermelha e sangrenta.

Gonorréia: apresenta vermelhidão, ardência e prurido na mucosa. Raramente provocam feridas.

Mononucleose: popularmente chamada de doença do beijo, apresenta pequenas manchas vermelhas no céu-da-boca. Provoca o aumento do volume dos gânglios. Estes sinais costumam aparecer após um mês do contágio.

Sífilis: ela causa uma ferida indolor no lábio ou na língua e ínguas no pescoço. “A transmissão é considerada muito rara. Mesmo a sífilis genital só atinge pacientes indivíduos com vida sexual extremamente promíscua”, explica Paulo Olzon.