Divórcio: como os filhos ficam?

Divórcio vai muito além que uma seperação

O divórcio do casal e a separação dos pais é sempre um processo doloroso tanto para o casal quanto para os filhos, mesmo tendo em vista que o divórcio está a se tornar cada dia mais comum e quase um contraste social.

A separação dos pais sempre é um motivo de tristeza. É uma vivência de perda e frustração, que aumenta o estresse e que pode desestabilizar ou desorientar e prejudicar relacionamentos futuros.

O que desestabiliza emocionalmente os filhos é a separação em si, mas como ela é gerida e vivida. Muito do humor dos filhos dependerá do humor, da atenção e das condições do pai ou da mãe que tenha ficado com a guarda.

Grau de conflito durante o divórcio

A agressividade entre os pais na situação de divórcio é sentida pelos filhos e pode condicionar uma relação futura que pode ir desde a tentativa de evitar comportamentos agressivos pelo trauma do sofrimento vivido ou até mesmo como um exemplo a seguir por imitação dos próprios pais.

Uma relação onde o casal grita e se agride, pode deixar os filhos assustados, com medo e inseguros. Quando os filhos são surpreendidos com a separação repentina dos pais, podem ficar traumatizados por sentimentos de culpa e por sentirem dificuldade em perceber como o “amor” pode acabar.

A forma mais saudável e menos traumática para viver uma separação é através de uma postura equilibrada, a qual os pais explicam a separação aos filhos com honestidade e serenidade para que compreendam e aceitem com naturalidade. Esse é um momento essencial para que a separação ocorra da melhor forma possível e com o mínimo de sofrimento para os filhos.

Idade dos filhos

A idade dos filhos também é um fator determinante.

Crianças em idade pré-escolar, 3 a 5 anos, podem ser particularmente vulneráveis, uma vez que não podem entender situações complexas e ficam confusas, podendo apresentar uma regressão no seu desenvolvimento e voltar a urinar na cama, demonstrar vários medos, apresentar alterações do sono e tornarem-se irritáveis, exigentes, muito solícitos e mais dependentes dos pais.

Uma criança de 7 ou 8 anos poderá não dar tanta importância à separação, mas pela dificuldade de compreensão e pela perda dos referenciais paternos e maternos poderá apresentar uma tristeza grande, uma diminuição do rendimento escolar e ter consequências mais graves como sofrer uma depressão infantil.

O adolescente reage ao divórcio muitas vezes com depressão, raiva intensa ou com comportamentos rebeldes e desorganizados. Poderá questionar a autoridade e ser levado a experimentar as drogas e o álcool. Estudos revelam que entre os adolescentes de pais separados pode haver certa precocidade no comportamento sexual, como meio de encontrarem uma companhia. Há também adolescentes que conseguem viver a experiência de uma forma mais tranquila e, embora tristes, passam pela separação dos pais de uma forma equilibrada.

A ligação dos filhos com pai, no caso da guarda ficar com a mãe deverá ser preservada ao máximo

Poderá haver uma sensação de abandono que pode ser superada conforme o pai se mantenha presente e afetivamente ativo. É importante também que a mãe contribua a não destruir a imagem do pai, mas que o apresente sob uma nova perspectiva. Sempre que a separação seja bem conduzida pelos pais minimizará as consequências negativas nos filhos.

Se a saída do pai for traumatizante, os filhos podem sentir-se abandonados, o que no futuro poderá levar à perda de confiança nas pessoas e dificultar futuros relacionamentos afetivos.

Possibilidade de um novo casamento

Os filhos encaram um novo casamento dos pais, em primeiro lugar, com desconfiança, pois o outro é visto como rival. Dependendo das circunstâncias de como a experiência foi vivida, poderão sentir como uma oportunidade de ter uma nova família.

O segredo é estabelecer com os filhos uma relação amigável e ser uma figura de pai e mãe coerente, afetiva e securizante, para permitir que se estabeleça uma relação de confiança e de amor. É sempre difícil para o filho aceitar uma nova união dos pais. Os pais terão sempre um lugar especial na mente dos filhos. É preciso haver um tempo para que se estabeleça um novo equilíbrio familiar e para que haja uma aceitação de afeto e confiança da nova pessoa na família.

É importante que os pais se sintam responsáveis, que mantenham uma conduta coerente, afetiva e educativa, sempre mantendo os filhos bem informados e bem amparados, para que se sintam amados e seguros para aceitar a mudança prevenindo situações de sofrimento e angústia, o que não deve ser confundido com atitudes compensatórias.

Os pais precisam sempre ter claro que o papel deles não muda com a separação.

A questão principal entre pais e filhos é o “amor”. É muito importante para um desenvolvimento psicológico saudável dos filhos que eles sintam uma segurança afetiva com o “amor” de ambos os pais.