Câncer de pênis: o que eu devo saber sobre essa doença?

Entenda os principais sintomas, causas, tratamentos e como se prevenir

O câncer de pênis é uma doença rara no mundo, porém no Brasil tem incidência relativamente elevada, representando cerca de 2% dos tumores malignos dos homens. Este tumor é mais frequente em países em desenvolvimento e populações de baixo nível socioeconômico.

Nos Estados Unidos, o câncer de pênis representa apenas 0,4% dos tumores malignos do sexo masculino. Nos países escandinavos, a incidência do tumor de pênis varia de 1 a 1,3 por 100.000 habitantes, enquanto que na cidade de Recife, por exemplo, este índice chega a 50. Nos estados do Acre e Maranhão, este tipo de tumor é o 2º mais frequente, atrás apenas do câncer de pele.

Fatores de risco

#1 Fimose que impede a exposição da glande (cabeça do pênis) por causa do estreitamento do prepúcio (a pele que reveste a glande);

#2 Acúmulo de esmegma (secreção branca resultante da descamação celular);

#3 Higiene local precária;

#4 Falta de informação;

#5 Fumantes;

#6 Má situação socioeconômica e educacional das pessoas, em geral moradoras das regiões mais carentes.

#7 Dados epidemiológicos revelam que a infecção pelo HPV (papilomavírus humano, principalmente pelos tipos 16 e 18), pode estar entre as causas do câncer de pênis.

Uma constatação a favor do papel da fimose como predisponente é o fato de que pessoas circuncidadas ao nascer ou na infância não desenvolvem a doença com a mesma frequência que os não operados. No entanto, a cirurgia da fimose na vida adulta não previne o câncer de pênis.

Mulheres com parceiros portadores de câncer de pênis têm incidência maior de câncer de colo de útero que a população feminina em geral.

Sintomas

O sintoma mais comum é o aparecimento de uma ferida avermelhada, que não cicatriza, ou de um pequeno nódulo, na glande, no prepúcio ou no corpo do pênis. Inicialmente, essas lesões podem não doer, o que retarda o diagnóstico.

Outros sintomas são manchas esbranquiçadas ou perda de pigmentação na glande, presença de esmegma com cheiro forte e de gânglios inguinais inchados – ínguas na virilha.

Placa vermelho-vivo, bem delimitadas são típicas da eritroplasia de Queyrat e podem ser consideradas lesões pré-malignas que evoluirão para câncer de pênis, se não forem devidamente diagnosticadas e tratadas.

Diagnóstico

O exame clínico e o resultado da biópsia são elementos fundamentais para o diagnóstico de um tumor maligno no pênis.  Quanto mais precocemente ele seja feito, melhor será a resposta ao tratamento. O problema é que, por falta de informação ou constrangimento, muitos homens demoram a procurar atendimento médico, quando notam alguma alteração no pênis e deixam de tratar uma doença que pode ter cura.

Prevenção

A prevenção do câncer de pênis está diretamente associada a três princípios básicos:

– higiene diária com água e sabão, especialmente na hora do banho e depois das relações sexuais;

– cirurgia de fimose, quando a pele do prepúcio inviabiliza a exposição da glande e a higiene adequada da região;

– uso de preservativos nas relações sexuais.

Tratamento

O esquema de tratamento do câncer de pênis é diretamente determinado pela gravidade e extensão da doença. Nas lesões iniciais, o tumor e uma pequena parte dos tecidos ao redor podem ser removidos cirurgicamente ou por ressecção a laser. A preocupação é sempre preservar a maior quantidade possível do tecido peniano, de forma a manter as funções sexuais e urinárias.

A remoção completa do pênis e dos gânglios inguinais só é indicada nas fases mais avançadas da doença. A quimioterapia geralmente é indicada em casos de doença avançada ou metastática. Em alguns casos, a radioterapia pode ser considerada.