Automutilação: como os pais podem ficar atentos

Entenda o que seu filho sente e seus pedidos de ajuda

Nas profundezas da psique humana existem coisas que ninguém pode ligar (ou entender). Uma delas é a automutilação, pessoas feridas que se ferem para tentar enfrentar sentimentos com os quais não conseguem mais lidar. No brasil, ainda não existem estudos epidemiológicos sobre a incidência da autolesão, mas dados mundiais afirmam que de 17% a 20% dos adolescentes e adultos jovens já tiveram em algum momento da vida esse comportamento.

Segundo a psiquiatra da infância e da adolescência Jackeline Giusti, responsável pelo ambulatório de adolescente e automutilação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, o DSM-5, a automutilação é classificada como transtorno psiquiátrico com necessidade de estudos futuros.

“Há uma tendência em considerar esse comportamento como um transtorno psiquiátrico por si só, e não mais como comportamento relacionado a outros problemas”, adianta a especialista. Já na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), ela é tida como transtorno do controle do impulso não específico, ou como um dos sintomas de transtornos de personalidade como o borderline.

A adolescência é uma época propícia pare que determinados comportamentos que fogem à regra apareçam. Automutilação é um deles, no entanto, quando o caso persiste, a atenção redobrada dos pais é necessária. Os pais, além de dar carinho, devem sempre estar atentos aos comportamentos dos filhos, serem próximos o máximo possível e lhes oferecerem a liberdade de conversar.

O primeiro passo é manter a calma e buscar orientação. Em vez de dizer para que o filho pare de fazer – o que muitas vezes não surge efeito – tire de seu alcance objetos com os quais ele possa de mutilar. Adiciona uma postura diferente, demonstrar que você quer escutá-lo e entende-lo também pode ajudar. Mas, a ajuda de um profissional deve ocorrer simultaneamente. Psicólogo, psiquiatra ou terapeuta, alguém qualifica e que poderá regulamentar a vida emocional desse jovem.

A comunicação eficaz dentro da família é realmente importante pare que o adolescente se sinta seguro, valorizado, e confiante. É fundamental, na rotina familiar, que haja um momento no qual todos se sintam a vontade para compartilhar ideias, dúvidas, preocupações e conquistas.