Ardência durante o sexo é motivo de atenção?

Conheça as principais causas desse sintoma e saiba mais sobre a saúde genital

Sinônimo de entrega e prazer, o sexo nem sempre tem esse significado, há casos em que a relação sexual aparece acompanhada de algum tipo de dor. A dispaurenia dor sentida durante a relação sexual é prevalente no sexo feminino. No homem, esta queixa é bem menos frequente e pode estar relacionada a várias causas.

SAÚDE PENIANA

Dores latejantes, ardências, formigamentos, persistentes ou em momentos específicos, podem indicar diferentes doenças. Se você sentir algum tipo de desconforto, deve procurar um médico para que ele possa diagnosticá-lo corretamente. Aqui estão algumas das possíveis causas para a dor no pênis.

Doença de Peyronie

A doença de Peyronie é hereditária, mas também pode ser causada por lesões no pênis. Ela se trata de uma inflamação que causa o surgimento de uma placa no tronco do pênis. Durante a ereção, essa placa se enrijece e faz com que o pênis fique curvado, dificultando a penetração.

Além de dificultar o sexo, a doença de Peyronie também causa muita dor no pênis quando ele estiver “ereto”. Durante a ereção, ainda, pode haver o sangramento interno do pênis. Se você perceber uma curvatura no seu pênis acompanhada de dores na ereção, procure um médico para ele lhe encaminhar ao tratamento adequado.

Priapismo

Assim como a primeira doença, o Priapismo causa uma forte dor durante as ereções do homem. Essa doença deve ser tratada com urgência, pois pode trazer danos permanentes ao pênis, entre eles acabar com a capacidade do pênis de ficar ereto.

O priapismo pode ter as mais diferentes causas, por isso é difícil diagnosticá-lo sozinho. Entre suas causas, estão os efeitos colaterais de alguns remédios para a impotência, depressão, coagulação do sangue ou distúrbios mentais. Além disso, também podem causar o priapismo, problemas na circulação sanguínea, leucemia, anemia, excesso de álcool ou outras drogas, problemas na cabeça do pênis e lesões na medula espinal.

Balanite

Essa doença se trata de uma infecção embaixo ou na própria pele que cobre a cabeça do pênis, o prepúcio. Ela pode ser identificada por uma forte ardência e sensação de queimação nessa região do pênis.

A Balinite acontece em homens que não são circuncisados ou que não lavam direito sob a pele da cabeça do pênis. Ela pode surgir como DST, ou ser causada por alergias a sabonetes, perfumes, e outros produtos que entram em contato com a pele.

SAÚDE VAGINAL

Para algumas mulheres a penetração, que deveria ser um ato gostoso partilhado pelo casal, é extremamente dolorida e desconfortável. E a dor varia de mulher para mulher, podendo ser de diversas intensidades e se manifestar até na região anal. Mas atenção: sentir dor durante o sexo é um forte indício de que há algum problema, seja físico ou psicológico.

A especialista em sexualidade do Setor de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Tereza Barroso, explica que o incômodo pode estar apenas relacionado a posições sexuais pouco confortáveis. Porém, também é sintoma de doenças vaginais provocadas por bactérias ou fungos. “Em alguns casos indica patologias vulvares e doenças cervicais, como mioma e endometriose”, afirma.

De acordo com a médica, as patologias que podem provocar dor durante a relação sexual são infecções na vagina e vulva, como a candidíase, tumores benignos e malignos, doenças do aparelho urinário, como as cistites, lesões dermatológicas causadas por doenças sexualmente transmissíveis e traumatismos. Nesses casos, a dor costuma desaparecer após o tratamento da doença que provoca o desconforto.

Segundo a especialista, outra razão para sentir dor ou ardência durante a penetração é a falta de lubrificação. Esse problema pode acontecer, entre outros motivos, porque não houve estimulação suficiente nas preliminares. Por isso é tão importante que os parceiros tenham liberdade para conversar sobre o assunto.

“Outra recomendação, nesses casos, é usar lubrificantes à base de água. Eles ajudam bastante e não prejudicam o preservativo”, diz. Ela lembra ainda que essa lubrificação insuficiente é uma das características bastante prevalentes nas mulheres que entram na menopausa.

Por fim, a ginecologista ressalta que a mulher precisa conhecer intimamente sua anatomia. E essa é uma dica que vale para todas elas, não importa a idade. “Durante a masturbação ou a própria relação sexual, ela aprende como obter prazer e quais as posições mais gostosas, além de descobrir formas de transformar a penetração em um momento inesquecível”, afirma.

SAÚDE ANAL

Se ocorrer dor em todas as relações, é sinal de que algo está errado. A especialista, Sueli Raposo, ginecologista do Laboratório Exame em Brasília, afirma que tomar certos cuidados evita a dor, como o uso de lubrificantes e estar com o corpo relaxado, sem tensões. “O casal deve estar em sintonia e confortável com a situação, garantindo o prazer do ato para as duas partes”, complementa a doutora.

O sexo anal é considerado como um dos modos mais frequentes de se contrair o vírus HIV, causador da Aids. “O líquido seminal de uma pessoa soropositivo carrega grande quantidade de carga viral (HIV), e durante o ato podem ocorrer microfissuras na região do ânus e reto, facilitando a contaminação”, diz o urologista Augusto Cunha Campos Gonçalves, diretor-presidente do Hospital Belo Horizonte. Além disso, na relação anal é possível contrair qualquer tipo de DST, como HPV, gonorreia, clamídia, herpes e hepatite C. “Por isso, mesmo na relação anal o mais importante é usar camisinha”, completa a ginecologista Sueli.

Se a pessoa estiver sofrendo com dores e sangramentos persistentes por mais dois dias é importante procurar um médico, pois pode haver uma fissura mais grave. Os sintomas podem acontecer após a evacuação ou então de forma mais constante – em todos os casos, é necessário procurar ajuda de um especialista.

Doenças sexualmente transmissíveis – DST

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são doenças causadas por vírus, bactérias ou outros micróbios que se transmitem, principalmente, através das relações sexuais sem o uso de preservativo com uma pessoa que esteja infectada, e geralmente se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas.

Algumas DST podem não apresentar sintomas, tanto no homem quanto na mulher. E isso requer que, se fizerem sexo sem camisinha, procurem o serviço de saúde para consultas com um profissional de saúde periodicamente. Essas doenças quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves, como infertilidades, câncer e até a morte.

Usar preservativos em todas as relações sexuais (oral, anal e vaginal) é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão das DST, em especial do vírus da Aids, o HIV.

O tratamento das DST melhora a qualidade de vida do paciente e interrompe a cadeia de transmissão dessas doenças.