Amor na terceira idade: existe idade para amar?

É muito tarde para amar?

O amor é uma dimensão importante na vida de cada um de nós, que nos aproxima daquilo que somos em essência e que também nos vincula ao outro, em qualquer idade que nos encontrarmos. Falar sobre este assunto com os idosos e permitir que falem a este respeito é essencial e traz um aspecto de permissão.

É muito comum na nossa sociedade a ideia de que as pessoas mais velhas não amam da mesma forma que os jovens. Que lhes é permitido o amor pelos netos e pela família. Como se ficasse reservado qualquer amor que seja assexuado.

Quando trazem à tona sentimentos adormecidos, revivem emoções, lembranças e mostram desejos, os filhos e a sociedade ficam perplexos e apavorados, por acharem que não estão preparados para amar mais uma vez.

Namoro na terceira idade é diferente?

A ideia de que não é possível desfrutar de um namoro na terceira idade já caiu por terra. De acordo com um estudo de geriatria feito nos Estados Unidos, por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, as pessoas idosas podem sentir tanto afeto e emoção durante o despertar de um romance quanto os jovens.

No entanto, são as experiências passadas que determinam se a relação será positiva ou negativa. O envelhecimento compromete a parcela do sistema nervoso que controla a excitação, mas não altera tanto o comportamento e a forma com a qual os idosos experimentam a emoção.

Como já houve muitas situações, sejam romances ou experiências de vida, o namoro na terceira idade pode ser tão cheio de altos e baixos quanto na juventude, mas a maturidade traz pontos de vista mais racionais.

Segundo psiquiatras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), viver um caso de amor é benéfico em qualquer etapa da vida, garantindo prazer e bem estar. Na terceira idade, porém, os efeitos são ainda maiores, já que proporcionam vontade de viver mais.

É comum os mais velhos se sentirem desestimulados, com o avanço da idade, sendo a sensação de amar e ser amado responsável por alimentar a saúde.

Vida longa com amor

Conforme envelhecemos, o corpo começa a ficar mais desgastado, aumentando as dores e as sensações de ansiedade e de depressão. A chegada de uma companhia para o dia a dia reduz a fragilidade e a solidão, já que grande parte dos idosos não tem mais os filhos em casa, nem ninguém para tomar conta. Ao contrário, são eles que precisam de cuidados.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro, atualmente, é de 74,9 anos, um aumento de quase cinco anos em relação a 2000. A experiência de um namoro na terceira idade, assim, pode ser algo cada vez mais comum.

A dificuldade maior está em enfrentar as convenções sociais e preconceitos, que surgem principalmente na família. Em alguns casos, a preocupação não acontece pelo aspecto sexual ou amoroso dos mais velhos, mas sim por interesses.

É comum que os parentes se questionem sobre herança, investimentos de aposentadoria ou substituição do pai ou mãe, em casos de viuvez. Respeito e amor devem se sobressair quando isso ocorrer.

 

Viver a dois traz o sentimento de fusão, de unidade, de continuidade e, além disso, reúne cuidado, respeito, proteção, segurança, compaixão, companheirismo, amizade, enfim, aspectos bastante válidos em uma etapa de tantas transformações, na qual a sociedade e os relacionamentos afetivos e sociais mostram-se importantes para a qualidade de vida do idoso.